sábado, 20 de agosto de 2011

O último escrito (porque era preciso)

Queria poder voltar no tempo e dizer para aquela que era eu
não acreditar em suas mentiras, nem na verdade do seu olhar.
Porque o ar que era meu, hoje já não existe.
Você o levou pra longe
e as minhas lágrimas ainda não foram secas.



Ouço as melodias dos pássaros
e invejo- lhes a liberdade de ir cantar por tantos campos,
enquanto fico presa,
pagando a sentença por ter amado você.

Calei meu canto.
Fechei minhas asas.

Olho para o lado e não te vejo,
mas as lembranças estão impregnadas por todas as partes.
O caminho que seguíamos juntos, de mãos dadas e sorrindo,
está com flores novas, mas ainda tem a mesma áurea.
Diferente do meu amor.

Aquele que eu te apresentei numa tarde de quinta,
logo após nos perdemos dentro dos olhos um do outro.
Debaixo do céu, você o aceitou,
prometeu cuidá-lo, mas não foi assim.
Tudo o que fez, foi feri-lo
e maltratá-lo cada vez mais.
Não consigo mais respirar naquele lugar.
O ar dá a vez para as lembranças, sempre densas.

Mas o tempo passou, sei que não tem volta.
Nem sei mesmo se veio, mas sei que não tem volta.
Abrir os olhos, todos os dias,
e perceber que foi tudo mentira,
me fez desacreditar no que as pessoas apresentam
como sendo “o mais nobre dos sentimentos”.
Me fez desacreditar no nós, que nem mesmo existiu,
e temer a palavra saudade.


Mais uma vez eu me escondo nas palavras escritas
para que se torne fácil.
Talvez a dor vague para longe ou,
talvez, eu tenha escrito tudo isso
para me enganar de que já estou curada de você.


π/
GさんVの

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